Tu Risa
 
Teu Riso

 

 
 Pablo Neruda

1904-2004

 
 
                                                         Tirame el pan, si quieres,
Tira-me o pão, se quiseres,
 
tirame el aire, pero no
tira-me o ar, mas não
 
me tires tu risa. 
me tires o teu riso.

no me tires la rosa
Não me tires a rosa,
 
la lanza que deshojas 
a lança que desfolhas,
 
el ague que de subito  
a água que de súbito
 
brota de tu alegria
brota da tua alegria,
 
la repentina onda  
a repentina onda
 
de plata que en ti nace 
de prata que em ti nasce.

mi lucha es dura y regreso
A minha luta é dura e regresso
 
con los ojos cansados
com os olhos cansados
 
 aveces por ver 
às vezes por ver
 
que la tierra no cambia  
que a terra não muda,
 
pero al entrar tu risa
mas ao entrar teu riso
 
sube al cielo a buscarme 
sobe ao céu a procurar-me
 
y me abre todas
e abre-me todas
 
las puertas de la vida . 
as portas da vida.

Mi amor ,en los momentos
Meu amor, nos momentos
 
mas oscuros suelta
mais escuros solta
 
tu risa y si de subito
o teu riso e se de súbito
 
vieras que mi sangre mancha 
vires que o meu sangue mancha
 
las piedras de la calle,
as pedras da rua,
 
rie, porque tu risa 
ri, porque o teu riso
 
será para mis manos 
será para as minhas mãos
 
como una espada fresca.
como uma espada fresca. 

A la orilla del mar, en el otoño,
À beira do mar, no outono,
 
tu risa debe erguir 
teu riso deve erguer
 
su cascada de espuma, 
sua cascata de espuma
 
y en la primavera, amor, 
e na primavera, amor,
 
quiero tu risa como  
quero teu riso como
 
la flor que esperaba 
a flor que esperava,
 
la flor azul, la rosa 
a flor azul, a rosa
 
de mi patria sonora.  
da minha pátria sonora.


Riete de la noche, 
Ri-te da noite,
 
del día, de la luna, 
do dia, da lua,
 
riete de las calles
ri-te das ruas
 
chuecas de la isla,
tortas da ilha,
 
riete  de  este  grosero 
ri-te deste grosseiro
 
                            muchacho que te ama,
  rapaz que te ama,
 
pero cuando abro 
mas quando abro
 
los ojos y los cierro, 
os olhos e os fecho,
 
cuando mis pasos van,
quando meus passos vão,
 
cuando vuelven mis pasos, 
quando voltam meus passos,
 
niegame el pan, el aire, 
nega-me o pão, o ar,
 
la luz, la primavera, 
a luz, a primavera,
 
pero nunca tu risa,  
mas nunca o teu riso,
 
porque entonces moriria.
porque então morreria.

 
Poema de Pablo Neruda
Midi: Smile com Nat King Cole
Tradução por Marcelo Romano
Plano de Fundo: cindy de
    
Formatação por Marilene

 
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