
Os teus pés
Pablo Neruda
1904-2004
Quando não posso
contemplar teu
rosto,
contemplo os teus pés.
Teus pés de osso arqueado,
teus
pequenos pés duros.
Eu sei que te sustentam
e que teu doce
peso
sobre eles se ergue.
Tua cintura e teus seios,
a duplicada
púrpura
dos teus mamilos,
a caixa dos teus olhos
que há pouco
levantaram vôo,
a larga boca de fruta,
tua rubra cabeleira,
pequena
torre minha.
Mas se amo os teus pés
é só porque andaram
sobre a
terra e sobre
o vento e sobre a água,
até me encontrarem.

Edição de Música por Leo
Formatado e Editado por Marilene