Texto: "Três
idades" de Manuel Bandeira
Música: "As
aparências enganam" interpretada por Elis Regina
Fundo: Arte
de Leo
Três Idades
A vez
primeira que te vi,
Era eu
menino e tu menina.
Sorrias tanto... Havia em ti
Graça
de instinto, airosa e fina.
Eras
pequena, eras franzina...
.
A
ver-te, a rir numa gavota,
Meu
coração entristeceu
Por
quê? Relembro, nota a nota,
Essa
ária como enterneceu
O meu
olhar cheio do teu.
.
Quando
te vi segunda vez,
Já
eras moça... Eu, um menino...
Como
contar-te o que passei?
Seguiste alegre o teu destino...
Em
pobres versos te chorei
.
Teu
caro nome abençoei.
Vejo-te agora. Oito anos faz,
Oito
anos faz que não te via...
Quanta
mudança o tempo traz
Em sua
atroz monotonia!
.
Que é
do teu riso de alegria?
Foi
bem cruel o teu desgosto.
Essa
tristeza é que mo diz...
Ele
marcou sobre o teu rosto
A
imperecível cicatriz:
.
És
triste até quando sorris...
Porém
teu vulto conservou
A
mesma graça ingênua e fina...
A
desventura te afeiçoou
À tua
imagem de menina.
E
estás delgada, estás franzina...