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Amor é um Começo
pelo Fim
(Artur da
Távola)
O amor corre mais rápido do
que os acontecimentos
que estão no seu
caminho. Na vigência do amor,
as pessoas vão
até o fim das outras muito rapidamente,
passando por
cima, ambas, de aspectos, maneiras de
ser e
comportamentos do ser amado.
O amor é uma corrida apressada
até o fim e o mais alto do
outro. Só depois de, se lá chegar, e viver, e ser, e gozar, e sentir, começam os percursos e percalços da volta, retorno às partes que se tornaram retardatárias mas existem e se movimentam. É como o curso de um rio que
desemboca no próximo e reflui.
Na vigência explosiva ou hipnótica do amor, chega-se logo, e com deslumbramento, ao fim do curso. Aí, há o refluxo. A água volta à origem e no retorno vai passando por partes que ficaram submersas, invadidas ou esquecidas quando as águas passaram aceleradas e torrenciais. O amor é um começo pelo fim,
no qual o meio vem sempre
depois com as suas insuperáveis leis. Por isso, corre mais rápido do que as veredas que estão no seu caminho. A vivência de amor é difícil e dolorosa porque significa voltar, depois de ter chegado ao fim, ao auge, ao máximo. O amor verdadeiro e
duradouro é o preço desse retorno sobre si
mesmo e a complementação de tudo o que estava no caminho e foi superado pela velocidade e intensidade das águas-paixão. Essa volta vai revelando, dia a dia, momento a momento, as margens de cada um que ficaram esquecidas ou deixadas para depois na passagem turbilhonária e deslumbrante da paixão. Nessas margens estão os mais lindos recantos de cada ser e se escondem aspectos menores e restritivos, os defeitos e imperfeições. Difícil, portanto, não é a
chegada ao fim: é viver os vários
refluxos, pois neles estão escondidas as depressões suficientes (ou não) para terminar o amor. Ao mesmo tempo, o amor cresce, na medida em que o refluxo permite descobrir, com mais calma, as partes lindas de cada um, os remansos, as terras fecundas do afeto, as voltas sinuosas, os jardins de paz e de cada existência. As partes férteis de cada ser. É quando o amor deixa de ser
muito bom, para ser mútuo bom.
E o amor só é muito bom quando, depois de ter chegado ao máximo (no sentido de ápice, extremo), volta-se sobre si mesmo num refluxo enriquecedor e aumenta depois que passa a ilusão. Formatado por
Thereza Cristina
midi: Quiereme Mucho
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