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MADRUGADA
Madrugada, acordo em
meu
leito
solitário
e a grandeza da tua
ausência
me faz sonhar
acordado.
Nessa vigília se
envolvem
todos
meus
sentidos
e consigo ver-te ao
meu
lado
e cheirar teu
perfume de
maçã
verde
e ouvir teu gemido
felino
e sentir o calor dos
teus seios
e saber da umidade
que me guardas.
Deixo-me ficar,
quieto
na atitude da caça
passiva
que
sabe
não poder resistir
ao caçador.
Vens senhora,
soberana,
dona de meu corpo e
de meus sentidos
e derramas teus
beijos sobre
meu
corpo.
Tua língua alegre
como um
colibri
passeia em minha
pele
em pequenos
toques,
benditos
toques.
Teus dentes marcam
minha
carne
trazendo uma dor
pequena
diante do
prazer.
Tens os lábios em
eterno
movimento
como um peixe de mim
se alimentando.
Sinto febre de
desejo, meu
corpo
queima.
Minha lança
reverencia tua
realeza
e se estica,
enrijece, lateja.
A boca ávida,
como animal
faminto,
ataca,
devora,
engole e regurgita
para
engolir de
novo.
Os
dentes arranham
e a mão aperta
numa
tortura
deliciosa.
A língua chicoteia a
glande
e penetra no pequeno
orifício
de onde verte o mel
do desejo.
Me transportas ao
Olimpo,
sou um dos
deuses,
o mais
amado,
o mais
feliz.
E surges
como ágil amazonas
montada sobre minha
lança
cavalgando em trote
acelerado.
O movimento
estimulante
faz mais sangue
fluir
e o membro
engrossa
pulsando mais
forte.
A amazonas faz
diabruras na
sela:
mexe, volteia,
rebola
e no trote
sobe e desce
cada vez mais
rápida.
Inclina-se e
beija minha boca,
morde meus
lábios, suga,
enrosca sua
língua na minha
em pleno
galope.
De repente o
trote se
transforma
em frenético
galope,
as almofadas
que me
acomodam
parecem se
estreitar,
apertam,
mordem, sugam.
Seu ronronar
felino se
transforma
num gemido
alto e agoniado,
suas unhas se
cravam em minha
carne
e pressinto
sua explosão,
a pequena
morte.
Enquanto reúno
as forças
em torno de
minha lança
para o gozo
final,
enquanto
ajunto tudo
para inundar
seu ventre
começam seus
espasmos, seu
gozo a
flux,
estremece,
grita, arranha
e deixa-se enterrar
profundamente
na lança
rombuda e grossa.
Segue numa seqüência
maravilhosa de
gozos
enquanto meu amor
convertido
em
leite
esta prestes a
jorrar.
Sinto a sua
presença,
nada mais
poderá rete-lo,
vem com toda
força do
mundo,
imbatível e
vencedor
e explode,
ejacula, esguicha
dentro do
ventre amado.
Inunda, em jatos
quentes,
e mistura-se ao seu
desaguar.
São dois rios de
amor
encontrando-se
e
fluindo.
São dois rios, dois
gritos,
dois
gozos
num só amor,
numa só paixão.
E te deixas
cair sobre meu peito
ainda
penetrada,
ainda me tendo
dentro de ti,
a cabeça sobre
meu peito,
beijo teus
cabelos próximos
aos meus
lábios,
acaricio tuas
costas,
seguro tua
mão
e deixamo-nos
ficar
entregues a esse
intervalo
gostoso
entre o gozo e
o adormecer.
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Texto: "Madrugada" de
Leo
Música: "Billie's Blues" com
Billie Holiday
Criação de Fundo e Formatação de
Leoxto: " |
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