No fundo,  o fundo, ... o Van... nosso íntimo, esse bandido desorelhado, me capturou a emoção quando vi essa tela pela primeira vez  no Rijksmuseum Vincent Van Gogh, em Amsterdam.  O danado me pegou de mau jeito e nunca mais pude esquecer daquela tela, tão linda, tão plácida, raro momento de uma mente tão angustiada.  Passou a fazer parte das minhas melhores lembranças. Tentei dizer isto a ele, mas como é desorelhado, não conseguiu me ouvir...rs. Aí... fotografei a tela no meu coração e guardei a alegria de ter registrado um momento de Paz num ser de tão pouca paz.
daisy lucas
 
 
 
 
 

Para Van Gogh

(Montmartre: O Moinho Quarry)

 Eu queria escalar aquele morro;

centímetro a centímetro, palmo a palmo.

Conhecer cada caminho,

cada estrada,

cada encruzilhada. 

Eu queria, à luz do sol poente,

em cada dobra registrar que é diferente dos outros. 

Eu queria – vagarosamente, fazê - lo alegre,

como se fosse gente. 

Eu queria – carinhosamente, acabar com a tristeza

que percebo no seu sol – tão quente. 

Eu queria mergulhar naquele morro,

andar e andar, até não poder mais;

perder o fôlego, e devagarinho,

voltar de novo no mesmo caminho,

p’rá tornar a escutar

seus ais.

 

Texto :da poetisa Daisy Lucas

Inspirado ao ver a tela de Van Gogh

Imagem: Foto tirada diretamente da tela do pintor pela autora

Plano de Fundo a própria tela

midi: Starry Starry Night ( a música feita para o pintor)

(Don Mclean)

Formatado a pedido da autora do texto em 21/01/2002 por

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