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Este tango foi encomendado pelo produtor de cinema
Ángel Mentasti a Enrique Santos Discépolo.
Apesar disto ele foi apresentado pela primeira vez
por Sofia Bozan numa revista musical no Teatro Maipo, em 1935, contra
a vontade do produtor Ángel que o incluiu em
seu filme “El Alma del Bandoneon” cantada por Ernesto
Fama.
Com o sucesso obtido várias gravações foram feitas:
Roberto Maida com
Orquestra de Francisco Canaro(1935),
Tania(1936),
Roberto Arrieta(década de 40),
Alberto Echague(década de 40),
Tita Merelo(1956),
Edmundo Rivero(1959),
Virginia Luque(1973),
Julio Sosa(1973),
Rubén Juárez(1973),
Susana Rinaldi(1976)
e Julian Plaza(1976).
Tantas gravações dão idéia do sucesso
desse tango.
Indicando a confusão reinante no século
XX Discépolo mistura, na letra, figuras
contrastantes e famosas do começo da década de 30:
o golpista Alexander
Stavisky, que se suicidou num
cárcere em 1934;
Dom Bosco, fundador da Ordem dos Salesianos e
canonizado pelo Papa em
1934;
“La Mignon” que parece ser uma forma
usual de tratamento na época,
significando “querida” ou “amante”;
Don Chicho, apelido do chefe da máfia argentina,
Juan Galiffi, que foi preso
e processado em 1932;
Napoleão, da
França;
Primo Carnera, boxeador
italiano campeão mundial peso pesado
em 1933-1934 e
San Martin, herói da libertação de
vários países sul-americanos.
A letra que utiliza uma linguagem coloquial
é repleta de gírias.
Sobre o caráter revolucionário deste
tango basta dizer que, quase meio século depois de
seu surgimento, a ditadura
militar que governou a Argentina a partir
de 1976 decidiu “recomendar” que ele não fosse
executado. |
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CAMBALACHE
Que el mundo fue y sera una
porqueria,
Que o mundo foi e será uma porcaria,
ya lo
se;
já sei;
en el quinientos
seis
em quinhentos e seis
y en el dos mil
también;
e
em dois mil também;
que siempre ha habido
chorros,
que sempre tem havido safados,
maquiavelos y
estafaos,
malandros e gatunos,
contentos y
amargaos,
contentes e descontentes,
valores y
dubles,
sinceros e falsos,
pero que el siglo veinte es un
despliegue
porém que o século vinte é uma piada
de malda
insolente
de turma insolente
ya no hay quien lo
niegue;
ja não há quem negue;
vivimos revolcaos en un
merengue
vivemos revirados em um merengue
y en un mismo lodo todos
manoseaos.
e
em um mesmo lodo todos manuseados.
Hoy resulta que es lo
mismo
Hoje resulta que dá no mesmo
ser derecho que
traidor,
ser direito ou traidor,
ignorante, sabio,
chorro,
ignorante, sábio, safado,
generoso,
estafador.
generoso, gatuno.
Todo es igual; nada es
mejor;
Tudo é igual; nada é melhor;
lo mismo un burro que un gran
profesor.
igual um burro que um grande professor.
No hay aplazaos ni
escalafon;
Não há ralé nem bacanas;
los inmorales nos han
igualao.
os imorais nos igualaram.
Si uno vive en la
impostura
Se um vive na mentira
y otro roba en su
ambición,
e
outro rouba na sua ambição,
da lo mismo que si es
cura,
dá no mesmo ser padre,
colchonero, rey de
bastos,
mendigo, rei de paus,
caradura o polizon.
malandro ou honesto.
Que falta de respeto,
Que falta de respeito,
que atropello a la
razon;
que atropelo à razão;
cualquiera es un
señor,
qualquer um é um senhor,
cualquiera es un
ladron.
qualquer um é um ladrão.
Mezclaos con
Stavisky
Misturado com Stavisky
van Don Bosco y la
Mignon,
estão Dom Bosco e La Mignon,
don Chicho y
Napoleon,
Dom Chicho e Napoleão,
Carnera y San
Martin.
Carnera e San Martin.
Igual que en la vidriera
irrespetuosa
Como na vitrine desrespeitosa
de los
cambalaches
dos cambalachos
se ha mezclao la
vida
misturou-se a vida
y herida por un sable sin
remaches
e
ferida por um sabre sem piedade
ves llorar la Bíblia contra un
bandoneon.
vês chorar a Biblia contra um bandoneom.
Siglo veinte,
cambalache
Século vinte,
cambalacho
problematico y
febril;
problemático e febril;
el que no llora, no
mama,
o
que não chora, não mama,
y el que no roba es un
gil.
e
o que não rouba é um otário.
Dale no mas, dale que
va,
Venham leis, venham e vão,
que alla en el horno nos vamo a
encontrar.
que lá no inferno vamos nos encontrar.
No pienses mas, sentate a un
lao,
Não penses mais, senta-te a um lado,
que a nadie importa si naciste
honrao.
que a ninguém importa se nasceste
honrado.
Que es lo mismo el que
trabaja
Que é o mesmo o que trabalha
noche y día como un
buey
noite e dia como um boi
que el que vive de los
otros,
que o que vive dos outros,
que el que mata que el que
cura
que o que mata ou o que cura
o esta fuera de la
ley.
ou esta fora da lei.
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Letra e Música de Enrique Santos
Discépolo
Tradução por Elesta e Leo.
Contamos também com o inestimável auxílio de
Marcial Salaverry na tradução das inúmeras gírias contidas na
letra.
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