Capítulo 11 - A Migração Nordestina com a colaboração do Paulistano Marcial Salaverry
São Paulo do Século XX
 
Década de 50
 
 
 
Música : Asa Branca
com Luiz Gonzaga
 

SAMPA E OS ANOS 50

Marcial Salaverry

 

MIGRAÇÃO NORDESTINA

 

Ainda sob o impacto da crise gerada pela Guerra Mundial, São Paulo começou uma fase de grande desenvolvimento, principalmente no campo da construção civil, gerando uma necessidade de mão de obra não especializada para levantar os edifícios que estavam sendo planejados.

Devido a seca que assolava o nordeste, dizimando rebanhos e plantações, houve o casamento de necessidades. São Paulo precisava de mão de obra operária, e os nordestinos precisavam de meios de subsistência.

Começou assim a migração nordestina. E São Paulo, começou a crescer rapidamente, ao mesmo tempo em que começava a se acostumar com os usos e costumes que os migrantes trouxeram para cá, seja com sua alimentação bem peculiar, que logo foi aceita, seja com seu sotaque característico, que também começou a ser absorvido. Ó xente, essa minina...  logo já fazia parte do dia a dia paulistano.

Isso sem falar no que foi uma das maiores colaborações da migração nordestina, que foi para nossa música, trazendo os ritmos envolventes que logo tomaram conta de nossas paradas musicais.

A migração começou timidamente. Primeiro vinha o chefe da família para tentar a sorte. Percebendo as possibilidades que a cidade grande oferecia, logo tratava de trazer toda a família.

Esses foram os primeiros anos.

 

Vamos falar do que houve no campo musical, além do baião e do xaxado, de Luiz Gonzaga, e de muitos outros, que por aqui aportaram.

Além de grandes seresteiros que ainda faziam sucesso, como Carlos Galhardo, Mario Reis, Francisco Petrônio, tínhamos grandes nomes mostrando que São Paulo não era só trabalho,  também eras música, entretenimento, diversão... Nomes como Nelson Gonçalves, Altemar Dutra, Titulares do Ritmo, Hebe Camargo, além daqueles que retratavam bem o espírito paulistano, como Adoniran Barbosa, Germano Mathias, Demônios da Garoa... Enfim, nomes que se eternizaram, ainda que no meio desta década tivemos o aparecimento da mágica da televisão...(e consequentemente, dos televizinhos...). Imagine... Poder ver a cara daqueles ídolos dos quais apenas conhecia-se a voz...

Falando de esportes, tivemos o surgimento de heróis como Adhemar Ferreira da Silva, nosso inesquecível canguru, atleta do São Paulo FC, que treinado por Dietrich Gerner deu para o esporte paulista e brasileiro a honra de uma medalha de ouro olímpica.

No futebol, após o grande drama da perda da Copa do Mundo de 1950, uma equipe paulista, o Palmeiras resgatou em parte o orgulho nacional, conquistando a Copa Rio, que foi um campeonato mundial entre clubes.

E, principalmente, foi na década de 50 que São Paulo começou seu grande salto para o progresso. Com a ajuda da força de trabalho dos migrantes nordestinos, a febre de construções tomou conta da cidade, que nunca mais soube parar, daí o slogan que até

hoje simboliza esta megalópole: SÃO PAULO NÃO PODE PARAR...

Marcial Salaverry

 
 
Sempre um dos pontos referenciais de São Paulo... A passagem de nível que se pode ver na foto, foi jocosamente apelidada de "Buraco do Adhemar", por ter sido aberta pelo então Prefeito Adhemar de Barros, sem que, na época fosse necessária... Hoje é fundamental para que o trânsito no local não pare de vez...Anhangabaú 1955... Marcial
 
 
 
 
Bonde aberto... quem ainda se lembra? Em Santos ainda dá pra matar a saudade, com um passeio de "bonde turístico"... e ao lado, um dos "possantes" ônibus da época... Possivelmente em alguma cidade do interior ainda sejam usados... Marcial
 
 
 
Conde Francisco Matarazzo... Um dos grandes responsáveis pelo crescimento de São Paulo. Teve sob seu comando o maior império econômico brasileiro, desmontado pela ineficiência de seus herdeiros... Em todas suas fábricas, sempre construiu conjuntos residenciais para moradia de seus funcionários. Foi um empresário de larga visão, e alto sentido humanitário.  Nesta homenagem de seus funcionários, vê-se o prestígio que ele desfrutava... Marcial
 
 
Aeroporto Congonhas em 1950...Nesta visão vê-se como era tranquilo o trânsito naquela velha Sampa. Dá muita saudade.. O aeroporto destacava-se na paisagem... Hoje, desaparece em meio à autentica selva de pedra do bairro... Percebe-se que existe um aeroporto, quando um avião vem aterrisando...  Marcial
Aeroporto Congonhas em 1950...
 
 
 
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janeiro de 2004
continua.....
 
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Capítulo 11